Discussão sobre o financiamento da festa de Arapuá evoluiu para troca pública de acusações envolvendo sucessão política, problemas administrativos e antigas divergências
A Cavalgada de Arapuá, uma das celebrações mais tradicionais da zona rural de Três Lagoas, tornou-se o novo capítulo da disputa política entre o prefeito Cassiano Maia (PP) e seu antecessor, o deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro (PSDB).
O confronto começou depois que Guerreiro questionou publicamente a contratação do Sindicato Rural de Três Lagoas para organizar a edição realizada neste fim de semana. O ex-prefeito levantou dúvidas sobre o volume de recursos públicos empregado na festa e mencionou uma associação que participou da organização em anos anteriores.
Cassiano respondeu no sábado (17), por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais. Além de defender a legalidade da contratação, o prefeito recuperou episódios da campanha eleitoral, criticou decisões da administração passada e atribuiu ao antigo aliado uma tentativa de conservar influência sobre o evento e a Prefeitura.
Prefeito defende escolha do Sindicato Rural
De acordo com Cassiano, a administração municipal realizou um procedimento aberto à participação das entidades interessadas, e o Sindicato Rural apresentou a proposta vencedora. Ele argumentou que a associação citada por Guerreiro também poderia ter participado da seleção.
O prefeito classificou o sindicato como uma instituição tradicional e respeitada no município e afirmou que os recursos destinados à cavalgada devem ser administrados com transparência e responsabilidade.
Na sequência, acusou Guerreiro de tentar manter controle político sobre a celebração e de usar edições anteriores para promoção pessoal. Cassiano ainda levantou questionamentos sobre higiene e fiscalização sanitária na preparação dos alimentos em anos anteriores, mas não exibiu, durante a gravação, documentos que comprovassem as irregularidades mencionadas.
O debate deslocou-se rapidamente da organização da festa para a relação política entre os dois. Cassiano afirmou que permaneceu em silêncio durante boa parte do período posterior à eleição, mas decidiu responder diante das críticas mais recentes.
De aliados a adversários
Antes de chegar à prefeitura, Cassiano integrou a administração de Guerreiro em diferentes funções. Ele comandou as secretarias de Saúde e Finanças e também ocupou o posto de secretário-geral do município.
Na versão apresentada pelo atual prefeito, o afastamento começou durante a campanha eleitoral de 2024. Em uma reunião com representantes dos servidores, Cassiano teria assumido o compromisso de estudar a possibilidade de reduzir a jornada diária do funcionalismo de oito para seis horas.
Segundo ele, Guerreiro discordou da proposta e, a partir daquele momento, passou a se distanciar de sua candidatura. Cassiano também relembrou que o ex-prefeito não compareceu às cerimônias de diplomação e posse do sucessor.
A ausência de Guerreiro na campanha de Cassiano e o posterior afastamento do atual prefeito na disputa do antigo aliado por uma cadeira na Assembleia Legislativa aprofundaram a ruptura.
Cassiano rejeitou a acusação de traição feita anteriormente por Guerreiro e sustentou que o ex-prefeito demonstra dificuldade em aceitar a continuidade da administração sob outro comando. Também afirmou que nenhuma liderança ou grupo pode tratar o município como propriedade política.
Problemas da gestão anterior entram no embate
Durante a resposta, Cassiano responsabilizou a administração passada por pendências encontradas ao assumir a prefeitura. Entre os problemas citados estão a conservação de áreas verdes, deficiências na iluminação pública e aparelhos de ar-condicionado instalados em escolas sem que a rede elétrica estivesse preparada para suportar os equipamentos.
O prefeito disse que sua gestão vem tentando corrigir essas situações por meio da modernização da iluminação com lâmpadas de LED e da contratação de manutenção predial para realizar adequações nas unidades escolares.
Outro tema mencionado foi o processo judicial envolvendo a contratação do serviço de coleta de lixo durante o governo anterior. Cassiano afirmou que prefere aguardar a conclusão do caso, que ainda pode ser objeto de recursos, antes de se aproximar politicamente de Guerreiro.
As declarações sobre eventuais falhas administrativas, condições sanitárias e interesses políticos representam a versão apresentada pelo atual prefeito. Parte das acusações não foi acompanhada de documentos no vídeo.
O episódio torna pública uma divisão que vinha se aprofundando desde a sucessão municipal. A discussão iniciada sobre quem deveria organizar a Cavalgada de Arapuá acabou revelando um conflito mais amplo pela condução política de Três Lagoas e pelo legado da administração anterior.
FONTE: ATUALIZA MS


