“Quem Manda em Três Lagoas?” — A ascensão silenciosa do secretário de Governo Bacalá e o enfraquecimento do poder oficial do prefeito
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“Quem Manda em Três Lagoas?” — A ascensão silenciosa do secretário de Governo Bacalá e o enfraquecimento do poder oficial do prefeito

Nos bastidores da Prefeitura de Três Lagoas, uma pergunta tem ecoado com força cada vez maior: quem realmente governa a cidade?

Enquanto o prefeito mantém um discurso público discreto, relatos de dentro da própria administração apontam que a figura mais influente hoje não é o chefe do Executivo, mas sim o secretário de Governo, conhecido como Bacalá — apontado como o “homem que manda” e cuja palavra, segundo fontes internas, estaria acima até mesmo da do próprio prefeito.

Fontes da administração municipal afirmam que Bacalá tem assumido um papel muito além das atribuições formais do cargo. Ele seria responsável por decisões estratégicas em áreas que, em tese, deveriam ser comandadas diretamente pelos secretários das pastas correspondentes. Assistência Social e Administração são citadas como exemplos claros: apesar de possuírem chefes nomeados, quem realmente dita o rumo das ações, determinando ordens e vetos, seria o secretário de Governo.

A percepção dentro da Prefeitura é de que se criou uma espécie de “gabinete paralelo”, no qual decisões importantes passam necessariamente pelo aval de Bacalá — enfraquecendo outros secretários e, principalmente, a autonomia do prefeito.

Secretários rebaixados a coadjuvantes:

Um dos pontos mais sensíveis revelados pelas fontes ouvidas pela reportagem é a insatisfação de secretários que se veem cada vez mais como coadjuvantes de um governo conduzido por forças externas às suas pastas.

A troca recente de cargos — como nas secretarias de Administração e Assistência Social — reforça a percepção de instabilidade e de que quem realmente arbitra conflitos, negocia apoios, define nomes ou “corta cabeças” não é o prefeito, mas Bacalá.

A frase que circula entre funcionários é emblemática: “Bacalá manda, o prefeito assina.”

Procurados, membros da administração evitam tratar do tema. O silêncio, porém, fala por si. A falta de explicações oficiais sobre decisões controversas — como exonerações repentinas, afastamentos inesperados e mudanças bruscas na condução de políticas públicas — abre espaço para ainda mais especulações sobre quem realmente dá as ordens.

Enquanto isso, servidores relatam um clima de insegurança e tensão, com medo de contrariar o secretário de Governo e sofrer retaliações.

Para quem está do lado de fora da máquina pública, a consequência direta é a instabilidade administrativa. Secretarias enfraquecidas, decisões centralizadas em uma única figura e falta de clareza sobre quem responde por cada área resultam em:

políticas públicas descontinuadas;

atrasos na implementação de programas;

falhas recorrentes em setores sensíveis, como saúde, assistência social e infraestrutura;

ausência de transparência sobre decisões que impactam diretamente a vida dos moradores.

Concentrar poder em uma única pessoa não eleita pelo voto popular — e sem obrigação de prestar contas diretas à população — é sempre motivo de alerta. Em Três Lagoas, cresce a percepção de que Bacalá não é apenas o articulador político, mas o verdadeiro operador do governo.

Enquanto o prefeito segue em silêncio, a cidade se pergunta:

quem governa Três Lagoas — o prefeito eleito ou o secretário que age nos bastidores?

Esta reportagem seguirá acompanhando os desdobramentos, ouvindo servidores, especialistas e novas fontes para esclarecer até onde vão, de fato, os poderes de Bacalá dentro da administração municipal.

 

 

FONTE: JORNAL RAIO X