TRÊS LAGOAS ILHA COMPRIDA ARDE EM CHAMAS ENQUANTO AUTORIDADES PARECEM IGNORAR DEVASTAÇÃO

TRÊS LAGOAS ILHA COMPRIDA ARDE EM CHAMAS ENQUANTO AUTORIDADES PARECEM IGNORAR DEVASTAÇÃO

Todo ano, justamente entre os meses de julho e agosto, a história se repete: a Ilha Comprida – santuário ecológico localizado no Rio Paraná, bem na divisa com os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, se transforma numa imensa fogueira que destrói árvores, mata animais e causa prejuízos incalculáveis ao meio ambiente.

Para moradores das áreas ribeirinhas castilhenses, a causa destes incêndios é clara: caçadores interessados em acuar suas presas aproveitam o período de estiagem para atear fogo e encurralar suas presas. Uma ação criminosa que apesar de acontecer ano após ano, nunca foi punida como deveria.

Afim de minimizar o impacto ambiental, a CESP – Companhia Energética do Estado de São Paulo, contrata uma empresa para refazer o plantio de mudas nativas que no ano seguinte acabam vítimas deste incêndio novamente, num ciclo vicioso que nem a polícia nem o Ministério Público foram capazes de interromper até o momento.

Pescadores amadores e profissionais também afirmam que tais incêndios podem ser promovidos por pescadores predadores interessados na pesca farta existente em pelo menos três belas lagoas localizadas nos cerca de 08km da Ilha. O fogo seria a forma mais rápida encontrada por eles para abrir caminho em meio à vegetação.

De concreto se tem os relatos tristes de dezenas de ex-moradores da Ilha Comprida, que afirmam que tais incêndios não ocorriam no período em que ela era habitada. A visão do fogo incontrolável é devastadora, maculando uma visão privilegiada principalmente do lado paulista.

Até hoje, nenhuma nota pública foi divulgada pela estatal paulista sobre tais incêndios e as providências adotadas por ela para impedir que os mesmos se repitam ano após ano. Da mesma forma, não se tem notícias de nenhuma ação da Justiça para punir a empresa por este crime ambiental que ceifa a vida de incontáveis espécies animais.

Enquanto a impunidade segue em frente sem que fauna e flora sejam devidamente preservadas naquele santuário ecológico, resta à população apenas o olhar triste de testemunhas de um massacre pré-anunciado que as autoridades parecem não ter nenhum interesse em coibir.

Marco Apolinário – Grupo Portal