Terceirização na merenda escolar em Três Lagoas vira novo foco de crise política na gestão Cassiano Maia
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Terceirização na merenda escolar em Três Lagoas vira novo foco de crise política na gestão Cassiano Maia

Terceirização na merenda escolar vira novo foco de crise política na gestão Cassiano Maia

Empresa contratada por licitação por R$ 38 milhões ofereceu as profissionais o cargo de cozinheira escolar com salário de R$ 1.621,00

A terceirização do serviço de merenda escolar em Três Lagoas já começa marcada por indignação, revolta e denúncias de retrocesso nos direitos trabalhistas. Merendeiras que atuavam na rede municipal estão sendo exoneradas da Prefeitura e recontratadas por uma empresa terceirizada com redução salarial, corte de benefícios.

A empresa Básica Fornecimento de Refeições LTDA, que foi contratada por licitação por  R$ 38 milhões, ofereceu as profissionais o cargo de cozinheira escolar com salário de R$ 1.621,00, vale-alimentação reduzido e outros benefícios inferiores aos praticados na administração pública. Na prática, trabalhadoras experientes, muitas com anos de serviço, estão sendo obrigadas a aceitar condições piores para não perder o emprego.

O sentimento entre as merendeiras é de humilhação e desrespeito. “Estamos sendo descartadas e obrigadas a aceitar menos. A prefeitura não conversou com ninguém”, relatou uma servidora, sob condição de anonimato.

Diante da situação, as merendeiras articulam uma manifestação para a próxima segunda-feira, com protestos na Secretaria Municipal de Educação, Prefeitura e Câmara Municipal. O movimento pretende denunciar a terceirização sem diálogo e cobrar explicações do governo municipal.

O Jornal da Lagoa acompanhará a mobilização, que promete reunir dezenas de profissionais da educação que se sentem traídas pela gestão municipal.

A decisão de terceirizar a merenda escolar sem consulta às trabalhadoras recai diretamente sobre o prefeito Cassiano Maia, que prometeu valorização dos servidores durante a campanha, mas agora conduz uma política de corte de direitos e precarização do serviço público.

A Prefeitura de Três Lagoas ainda não apresentou estudos públicos detalhados que comprovem economia real ou melhoria na qualidade do serviço.

Especialistas em políticas públicas alertam que a terceirização de serviços essenciais sem controle rigoroso pode resultar em queda na qualidade da alimentação escolar, rotatividade de profissionais e risco à segurança alimentar dos alunos.

As merendeiras são parte fundamental da educação básica. São elas que garantem alimentação de qualidade a milhares de crianças, muitas delas em situação de vulnerabilidade social. Reduzir seus salários e benefícios é visto como um ataque direto à dignidade profissional e à valorização da educação pública, afirma Dr. Ruy Costa, líder da oposição. 

Até o momento, a prefeitura não promoveu audiências públicas, reuniões com as trabalhadoras ou explicações detalhadas à sociedade. O silêncio do prefeito e da Secretaria de Educação reforça a percepção de autoritarismo e falta de transparência na condução da política educacional.

A gestão Cassiano Maia tem usado o discurso de modernização administrativa para justificar mudanças estruturais. No entanto, para as merendeiras, essa modernização tem significado apenas menos direitos, menos salário e mais insegurança.

A manifestação prevista pode ser o início de uma crise política maior, colocando em xeque a relação da prefeitura com os servidores e com a comunidade escolar.

 

FONTE: JORNAL DA LAGOA