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Três Lagoas
Birigui
Possível empréstimo internacional levanta alerta sobre a real situação financeira de Três Lagoas

Possível empréstimo internacional levanta alerta sobre a real situação financeira de Três Lagoas

A tentativa do prefeito Cassiano Maia de contratar um empréstimo internacional que se aproxima de R$ 500 milhões acendeu um sinal de alerta em Três Lagoas. A proposta chama atenção não apenas pelo valor elevado, mas pelo contexto: a cidade possui um orçamento anual bilionário e ainda paga um empréstimo milionário contraído na gestão do ex-prefeito Ângelo Guerreiro. Diante disso, a pergunta que ecoa é inevitável: se o orçamento é tão robusto, por que recorrer a mais endividamento?

Na prática, a busca por um novo financiamento revela que a saúde financeira do município pode não ser tão confortável quanto os números oficiais sugerem. Empréstimos internacionais, embora geralmente ofereçam juros menores e prazos longos, representam compromissos que atravessam gestões e amarram o futuro financeiro da cidade por décadas, limitando investimentos e a capacidade de resposta a crises.

Três Lagoas ainda convive com dívidas herdadas do passado recente. O empréstimo firmado na gestão de Ângelo Guerreiro continua sendo pago com recursos públicos, consumindo parte significativa do orçamento que poderia estar sendo direcionada a áreas essenciais como saúde, educação, assistência social e infraestrutura básica. Agora, a possibilidade de um novo endividamento levanta a sensação de um ciclo vicioso, no qual uma gestão assume compromissos da anterior e, ao invés de reorganizar as contas, opta por empurrar novas dívidas para o futuro.

O discurso oficial costuma associar esses empréstimos a grandes obras e projetos estruturantes. No entanto, a realidade vivida pela população coloca esse argumento em xeque. Três Lagoas enfrenta falta de medicamentos, reclamações constantes na saúde pública, problemas de esgoto a céu aberto, além de denúncias envolvendo a distribuição de cestas básicas impróprias para consumo. Diante desse cenário, soa contraditório falar em novos financiamentos milionários sem que os problemas mais básicos tenham sido resolvidos.

Outro ponto que preocupa é a transparência. A população ainda carece de informações claras sobre quais projetos justificariam um empréstimo dessa magnitude, quais garantias seriam oferecidas, quais taxas e prazos estão sendo negociados e, principalmente, quanto isso custará ao contribuinte ao longo dos anos. Endividamento público não é, por si só, um erro — mas torna-se grave quando não vem acompanhado de planejamento rigoroso, controle social e resultados concretos.

Ao buscar quase meio bilhão de reais em crédito internacional, a gestão Cassiano Maia acaba transmitindo uma mensagem incômoda: a de que, apesar do orçamento bilionário, Três Lagoas não consegue se sustentar com os próprios recursos. Para muitos moradores, isso soa menos como estratégia de desenvolvimento e mais como confissão de desequilíbrio financeiro.

O debate precisa ir além dos gabinetes e das justificativas técnicas. Trata-se do futuro da cidade e do peso que será colocado sobre os ombros das próximas gerações.
 
 
 
FONTE: JORNAL RAIO X