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Mudança de domicílio eleitoral de Simone Tebet para SP é “uma grande perda para MS”, dizem três-lagoenses

Mudança de domicílio eleitoral de Simone Tebet para SP é “uma grande perda para MS”, dizem três-lagoenses

Sem conseguir viabilizar sua candidatura por Mato Grosso do Sul, seu estado de origem, a ministra do Planejamento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Simone Tebet (MDB), anunciou ao longo da semana a transferência de seu domicílio eleitoral para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo.

Se, por um lado, a decisão da ministra — que já foi senadora por MS — é vista por setores da direita do estado, majoritariamente bolsonarista, como um “já vai tarde”, por outro lado deixa órfãos muitos de seus simpatizantes, sobretudo em Três Lagoas, sua terra natal, onde foi prefeita por dois mandatos.

Para esses apoiadores, a decisão representa uma grande perda tanto para o Estado quanto para o município.

“O antes e o depois de Simone em TL”

Milton Gomes Silveira, por exemplo, que integrou o primeiro escalão da gestão de Simone na prefeitura, lamentou a mudança por entender que ela possui uma extensa ficha de serviços prestados a Três Lagoas e ao Estado.

“Quando ela assumiu a prefeitura, a cidade estava em ruína. Ela, além de incrementar a arrecadação e qualificar a gestão, também implementou a vinda de várias empresas para a cidade, tornando o maior polo industrial do Estado”, pontua o oficial aposentado da PMMS, advogado e ex-secretário municipal em Três Lagoas.

Depois de mencionar avanços alcançados no governo da ministra — que, segundo ele, ficou marcado como um divisor de águas, com um antes e depois de sua gestão — Silveira dispara: “Quem ataca a Simone são os Bolsonaristas despeitados por ela não ter aderido ao projeto ditatorial do Bolsonaro”.

No entendimento do advogado, Simone tomou a decisão acertada, uma vez que MS tornou-se um reduto muito forte do bolsonarismo, especialmente com a entrada do governador Eduardo Riedel e do ex-governador Reinaldo Azambuja no PL.

“A eleição de senador precisa estar atrelada a uma frente política forte e, em razão da proximidade dela com o presidente Lula, ficou inviável uma candidatura majoritária aqui no Estado”, crava.

Sobre a possibilidade de sucesso eleitoral do outro lado do Rio Paraná, Silveira avalia que o fato de São Paulo ser um estado com grande população formada por pessoas de outras regiões do país pode favorecer politicamente sua candidatura.

“Ademais, ela ficou muito conhecida em São Paulo quando de sua candidatura à Presidência da República. Acho que ela tem grande chance de ser eleita senadora”, conclui.

“É preciso ter memória”

“Sim, ela vai fazer falta para MS. É inegável que, ao longo da sua trajetória, contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento do estado. Infelizmente, muitas vezes foi injustiçada, tanto no cenário estadual quanto, de maneira especial, em Três Lagoas”, avaliou Paulo Ferreira, diretor de Comunicação da Câmara de Vereadores do município.

Para Paulo, é preciso ter memória. “Se hoje Três Lagoas é reconhecida como a capital mundial da celulose, uma parte importante dessa história também passa pelo trabalho e pelas decisões que ela ajudou a construir. O crescimento industrial e a consolidação do município nesse setor não aconteceram por acaso”, pondera.

Sobre as chances de vitória em São Paulo, ele afirma que política é sempre uma disputa aberta. “Mas quem tem história, trabalho prestado e reconhecimento sempre entra no jogo com força”, conclui.

“A perda é muito grande!”

Juvenal Ferreira, servidor público federal do Ministério dos Transportes, é outro que considera a decisão de Simone uma grande perda para Mato Grosso do Sul. Segundo ele, além de ser uma liderança com potencial para disputar a Presidência da República no período pós-Lula, a ministra também poderia ajudar diretamente o desenvolvimento de Três Lagoas por meio de sua proximidade com o presidente.

Ele cita como exemplo as obras inacabadas da fábrica de fertilizantes UFN-3, além de várias questões ambientais e ligadas ao setor da celulose.

Juvenal também menciona a necessidade de retomada da ferrovia que corta o município, a antiga Noroeste do Brasil, cujo projeto pode ser abandonado caso o traçado da Rota Bioceânica seja desviado pela Ferronorte, deixando de fora também os municípios de Água Clara e Ribas do Rio Pardo.

“Nesse sentido, a perda é muito grande para Três Lagoas e todo o estado”, conclui.

João Maria Vicente

Foto – Arquivos pessoais

 

FONTE: FATOS REGIONAIS