Marinheiro de Três Lagoas relata aflição em navio russo no litoral brasileiro com racionamento de água e comida

Marinheiro de Três Lagoas relata aflição em navio russo no litoral brasileiro com racionamento de água e comida

Os últimos dias da três-lagoense Maira Tashiro têm sido marcados por angústia e preocupação. Na segunda-feira (9), ela revelou que seu esposo, o marinheiro Willian Botoli, estaria enfrentando dificuldades a bordo de um navio russo que navega pelo litoral brasileiro, com relatos de restrição de água e alimentos. A situação, segundo ela, gerou desespero entre os tripulantes e apreensão entre familiares em terra.

Atualmente o casal reside em Santos (SP). Willian trabalha como marinheiro de máquinas, profissão que exige longos períodos em alto-mar realizando manutenção e reparos em embarcações. Ele embarcou em Manaus (AM) para trabalhar no navio Horizon Armonia, que, segundo o profissional, teria sido contratado pela empresa embarcadora VShips. Inicialmente, a informação repassada era de que a embarcação navegava sob bandeira da Libéria, mas posteriormente foi descoberto que se tratava de um petroleiro russo.

De acordo com Maira, o marido chegou a solicitar dispensa do navio, mas não teria sido autorizado a deixar a embarcação. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ela aparece emocionada relatando o desespero da família e as mensagens enviadas pelo marido, que temia a falta de água potável. Segundo ela, havia o risco de os tripulantes terem que consumir água considerada imprópria.

“Vocês sabem que eu tenho um filho autista… ele foi para trabalhar e não vai voltar para casa?”, desabafou Maira no vídeo, demonstrando preocupação com a situação do esposo e pedindo ajuda para que autoridades acompanhassem o caso.

Em contato com a reportagem, Willian explicou que, após a saída de Manaus, o comandante do navio recebeu a informação de que a rota deveria ser alterada para o Rio de Janeiro. Com a mudança inesperada no percurso, os suprimentos inicialmente planejados para a viagem teriam se tornado insuficientes. Segundo ele, a tripulação passou a enfrentar racionamento de alimentos e água.

O marinheiro relatou ainda que, caso a água mineral engarrafada acabasse, a orientação seria utilizar água proveniente do destilador do navio ou até do chamado pique-tanque, reservatório usado para manter a estabilidade da embarcação em determinadas situações. A situação teria gerado revolta e temor entre os tripulantes.

Willian afirmou que chegou a questionar o comandante sobre as condições a bordo, mas inicialmente não teria obtido respostas. Contudo, cerca de 48 horas após as denúncias se tornarem públicas, ele relatou que o cenário começou a mudar, com maior disponibilidade de alimentos e água.

Enquanto isso, em terra, Maira informou ter procurado a Marinha do Brasil para relatar a situação e solicitar providências. Segundo ela, após a divulgação do caso nas redes sociais e na imprensa, a autoridade marítima brasileira passou a ter conhecimento do ocorrido e poderia acompanhar a situação.
A informação mais recente é que a embarcação, com Willian a bordo, estaria nas proximidades do Rio de Janeiro aguardando autorização para ancoragem. O espaço segue aberto para manifestação de todos os citados na reportagem.

Fonte: Top Midia News

Foto – Reprodução Vídeo Top Midia News