Ex-secretária de saúde Angelina Zuque condenada pelo TCE faz parte do Conselho Municipal de Saúde
Nomeação de Angelina Zuque causa indignação e expõe contradições na política local
A política municipal parece não se cansar de desafiar a lógica do bom senso. A ex-secretária de Saúde, Maria Angelina da Silva Zuque, que chefiou a pasta entre 2017 e 2021, durante o governo do ex-prefeito Ângelo Guerreiro (PSDB) , voltou aos holofotes — agora como membro do Conselho Municipal de Saúde. O detalhe que revolta servidores e conselheiros independentes é que a ex-gestora foi condenada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) por irregularidades em licitação de medicamentos, no Contrato Administrativo nº 160/2017, firmado entre o município e a empresa.
Moca Comércio de Medicamentos Ltda. Segundo o órgão, a compra foi feita com preços acima da tabela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), gerando prejuízo aos cofres públicos e violando os princípios da administração pública. Mesmo assim, Angelina Zuque foi indicada — sem alarde e sem debate público — para integrar o colegiado que tem justamente a missão de fiscalizar as ações da Secretaria Municipal de Saúde.
Durante sua gestão, a Secretaria de Saúde enfrentou crises sucessivas: denúncias de má condução administrativa, falta de diálogo com servidores e vereadores, além de problemas em contratos essenciais. Sua saída do cargo, em 2021, ocorreu sob pressão direta de funcionários e do Legislativo, insatisfeitos com o desempenho da pasta e com as irregularidades que vieram à tona nos relatórios de controle interno e nas análises do TCE. Agora, oito anos depois, a ex-secretária reaparece — não para responder pelos atos da gestão passada, mas para exercer poder de deliberação sobre as mesmas políticas que um dia comandou.
O Conselho Municipal de Saúde deveria ser a instância máxima de controle social e transparência do SUS em nível local. No entanto, a presença de uma ex-gestora condenada por irregularidades lança sombras sobre a independência do órgão. Conselheiros e lideranças populares questionam como alguém com histórico de condenação em tribunal de contas pode fiscalizar os atos de uma secretaria que ela mesma administrou. “É um desrespeito com a população. O Conselho perde credibilidade quando se transforma em abrigo político de quem já falhou com a cidade”, disse um representante de entidade da sociedade civil..jpeg)
FONTE: JORNAL RAIO X



