Ornamentação natalina milionária foi recebida com silêncio na Câmara Municipal (Foto Divulgação)
Enquanto capital é criticada por gastar R$ 1,7 milhão em enfeites natalinos, Três Lagoas desembolsa R$ 4 milhões sem reação da Câmara Municipal
Enquanto uma capital como Campo Grande, virou alvo de críticas e pedidos formais de investigação após anunciar o gasto de R$ 1,7 milhão com a decoração natalina, em Três Lagoas (MS), o valor destinado aos enfeites de fim de ano é mais que o dobro — R$ 4 milhões — e, até agora, nenhum vereador se manifestou publicamente sobre o tema.
A discrepância entre os valores e as reações políticas chama atenção. Na capital, um vereador entrou com pedido de cancelamento do contrato, alegando que o gasto é “incompatível com a realidade financeira da prefeitura ” e que os recursos poderiam ser aplicados em áreas prioritárias como saúde e educação. Já em Três Lagoas, cidade com pouco mais de 130 mil habitantes, a ornamentação natalina milionária foi recebida com silêncio na Câmara Municipal, mesmo diante do valor expressivo.
Enquanto a cobrança política parece intensa em grandes centros, no interior, o poder público parece desfrutar de um confortável manto de complacência. Não há questionamentos sobre a origem dos recursos, critérios de contratação nem impacto orçamentário da ornamentação.
A ausência de posicionamento dos vereadores levanta questionamentos sobre o papel fiscalizador do Legislativo municipal. Afinal, o dever de um parlamentar é zelar pelo bom uso do dinheiro público — e não apenas aplaudir ações de apelo popular.
Decoração ou desvio de prioridades?
Embora o clima natalino traga beleza às ruas e estimule o comércio local, o contraste entre gastos tão altos e problemas ainda não resolvidos na cidade — como ruas esburacadas, falta de medicamentos e carência de infraestrutura — faz o cidadão se perguntar: quanto custa o espírito de Natal quando falta investimento no essencial?
Enquanto milhões de reais são destinados a luzes e adereços que duram apenas algumas semanas, escolas enfrentam problemas estruturais e unidades de saúde convivem com a falta de recursos. O contraste é gritante.
O caso de Três Lagoas expõe uma contradição: se uma capital com orçamento muito maior é questionada por gastar R$ 1,7 milhão, como justificar que uma cidade de porte médio desembolse R$ 4 milhões sem qualquer debate público?
O silêncio dos vereadores não apaga as luzes de Natal — mas certamente ilumina a omissão política de quem deveria fiscalizar.
FONTE: JORNAL RAIO X



