Central de Regulação: decisão precipitada cobra seu preço em Três Lagoas
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Central de Regulação: decisão precipitada cobra seu preço em Três Lagoas

A transferência da Central de Regulação Hospitalar de Três Lagoas para Campo Grande — autorizada pela secretária de Saúde Juliana Salim e pelo prefeito Cassiano Maia, com o aval silencioso da maioria dos vereadores municipais — começa a mostrar os efeitos negativos que já haviam sido alertados pelo Jornal Raio-X.

O serviço, que antes funcionava localmente e com agilidade, agora se tornou um novo gargalo no sistema de saúde do município.

Nos últimos dias, multiplicam-se os relatos de pacientes aguardando mais de 24 horas na UPA por uma vaga de transferência para hospitais da região. Em alguns casos, famílias passam a noite inteira na UPA, sem qualquer previsão de remoção. Em um episódio revoltante, um familiar chegou a ser preso após discutir com funcionários por conta da demora — uma reação que, ainda que extrema, escancara o desespero e a falta de informação enfrentados por quem busca atendimento.

Enquanto isso, nomes conhecidos da política local começam a aparecer nos corredores da unidade. Segundo testemunhas , o vereador Robson do Alinhamento ,foi visto tentando intermediar uma vaga para um conhecido— um retrato claro da desorganização instaurada. A central, que deveria ser técnica e eficiente, agora depende de “intervenções políticas” para funcionar, revelando um retrocesso preocupante.

Alertas ignorados:
Antes da mudança, o Jornal Raio-X já havia alertado sobre os riscos de retirar a regulação de Três Lagoas. A proximidade física com os serviços hospitalares permitia comunicação direta, resolução rápida e acompanhamento de cada caso. Agora, com o comando à distância, a cidade perdeu autonomia e eficiência.

Mesmo assim, nenhum vereador se manifestou contra a decisão. Nenhuma audiência pública foi feita. Nenhum estudo técnico foi apresentado à população. A pressa e o silêncio das autoridades custam caro — e quem paga a conta é o cidadão que espera por um leito, por socorro, por dignidade.

Responsabilidade compartilhada

O prefeito Cassiano Maia, médico, conhecedor da realidade hospitalar, tinha plena consciência das consequências dessa medida. A secretária Juliana Salim, responsável direta pela pasta, autorizou a transferência mesmo diante das advertências. E a Câmara Municipal, que deveria fiscalizar, preferiu o conforto da omissão.

Agora, com o caos instalado, tenta-se culpar o sistema, os servidores, ou até os próprios pacientes. Mas a verdade é simples: a crise foi fabricada dentro dos gabinetes.

A saúde pede respeito

Três Lagoas precisa urgentemente retomar o controle da regulação hospitalar. A central deve voltar a funcionar na cidade, com equipe local, autonomia técnica e transparência nos critérios de prioridade.

A população não pode continuar refém de decisões políticas desastrosas, nem depender da boa vontade de vereadores para conseguir uma vaga hospitalar.

A saúde pública não é palco de vaidades ou disputas de poder — é, antes de tudo, uma questão de vida e respeito.

 

FONTE: JORNAL RAIO X