Acordo de R$ 5 MILHÕES põe fim a 10 anos de briga por compensação de celulose da Eldorado em Três Lagoas
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Acordo de R$ 5 MILHÕES põe fim a 10 anos de briga por compensação de celulose da Eldorado em Três Lagoas

Acordo de R$ 5 MILHÕES põe fim a 10 anos de briga por compensação de celulose da Eldorado
Travada há 10 anos, a disputa pelos R$ 45,6 milhões de compensação ambiental da Eldorado Brasil Celulose S,A. por obra em Três Lagoas terminou com um acordo de R$ 5,1 milhões. O documento selando a paz entre o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) foi firmado na quinta-feira (dia 11), no Compor (Centro de Autocomposição de Conflitos e Segurança Jurídica).
 
O Imasul se comprometeu a destinar R$ 5,1 milhões ao Fundo Municipal de Meio Ambiente de Três Lagoas. Com esse recurso, o Município desapropriará uma área particular (ocupada pela Rádio Caçula), situada à margem da Lagoa Maior da cidade.
 
O instituto também vai destinar R$ 100 mil para a Rede de Proteção de Animais Domésticos Abandonados de Três Lagoas.
Acordo de R$ 5 milhões põe fim a 10 anos de briga por compensação da celulose
 
Em 2015, o Ministério Público entrou com ação civil pública contra o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul para que os valores pagos pela Eldorado, a título de compensação ambiental, não fossem aplicados fora dos limites territoriais de Três Lagoas.
 
O Estado chegou a destinar recursos para as obras do Bioparque Pantanal, parques em Campo Grande, rios cênicos e o Rio Taquari, sem priorizar o meio ambiente em Três Lagoas, segundo o MPMS.
 
Em 9 de dezembro de 2019, o processo transitou em julgado. Na etapa de cumprimento de sentença, o órgão estadual de meio ambiente foi chamado a comprovar a destinação de R$ 45.677.732,33.
 
Porém, sobreveio decisão do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) reconhecendo a autonomia do Imasul para destinar os recursos que compõem o fundo de compensação ambiental, inclusive fora dos limites do município onde ocorreu o empreendimento que gerou a compensação.
 
Agora, o acordo reconhece que os impactos ambientais ultrapassam fronteiras geográficas e permite que os recursos sejam aplicados de maneira mais ampla em todo o Estado, sem prejuízo à proteção ambiental local.
 
“O que buscamos é ajustar consensos que realmente atendam à sociedade. Estivemos pessoalmente em Três Lagoas, ouvimos as partes e hoje celebramos uma solução que olha para o futuro do nosso Estado”, afirma o coordenador administrativo do Compor, promotor Paulo Roberto Gonçalves Ishikawa.
Acordo de R$ 5 milhões põe fim a 10 anos de briga por compensação da celulose
 
O promotor Antônio Carlos Garcia de Oliveira, que atua há mais de duas décadas em Três Lagoas, destacou o diálogo:
 
“Há 24 anos estou aqui. Defendo este município com a força que ele merece. Sempre estarei aberto ao diálogo, porque é assim que entregamos o melhor para nossa cidade e para o Estado”.
 
A procuradora-geral do Estado, Ana Carolina Ali Garcia, reforçou que o acordo preserva o patrimônio público e fortalece a atuação ambiental:
 
“Este documento foi construído com muitas mãos, com gestores que vivem as dores da judicialização. A consensualidade é o caminho para pacificar e avançar”.
 
O diretor do Imasul, André Borges, ressaltou a importância da confiança e da sensibilidade institucional.
 
“Todo o processo foi conduzido com as melhores mãos. Sempre ouvindo nossas demandas e colocando o interesse da cidade em primeiro lugar”, diz o prefeito de Três Lagoas, Cassiano Rojas Maia (PSDB).
 
 
(Aline dos Santos/campograndenews.com.br/Reprodução)