Prefeitura afasta conselheiros tutelares que atuaram no caso de bebê que morreu em Penápolis

Prefeitura afasta conselheiros tutelares que atuaram no caso de bebê que morreu em Penápolis

Parecer do CMDCA também deve ser encaminhado ao Ministério Público para análise e providências (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)
 
 

Três conselheiros ficam temporariamente afastados do trabalho, sem remuneração; outros 3 foram advertidos por escrito

 

A Prefeitura de Penápolis (SP) acatou parecer final da comissão designada pelo CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e suspendeu temporariamente do trabalho, três conselheiros tutelares que atuaram diretamente no caso que resultou na morte de uma bebê de 1 ano e 3 meses, em fevereiro, com sinais de maus-tratos. A mãe e o padrasto da criança estão presos.

De acordo com o decreto publicado na tarde desta terça-feira (5), assinado pelo prefeito Caique Rossi (PSD), Vânia Aparecida Brito Santino e João dos Santos, o Jaó, ficarão sem remuneração e serão substituídos por 90 dias por dois suplentes, que já foram convocados também por meio de decreto.

Ruth Pereira Dias, que é suplente e cobria férias na ocasião, também recebeu a pena de suspensão das atividades, por dois meses, sem direito a remuneração.

Advertência

Os conselheiros Aline Castro Lortscher Rahal, Jhonatan Felipe Milla e Paulo Gabilan Quintana foram advertidos por escrito.

Segundo o decreto, as sanções aplicadas agora foram deliberadas por maioria dos membros titulares do CMDCA, em sessão extraordinária realizada em 14 de março.

Os suplentes convocados para o período de suspensão dos titulares são Michele Aparecida Silva Nakamura e Antônio Sidney Marques.

Caso

Em 30 de março, o Hojemais Araçatuba publicou matéria informando que os seis conselheiros tutelares envolvidos no atendimento à menina de 1 ano e 3 meses que morreu em fevereiro com sinais de maus-tratos poderiam ser penalizados. O parecer do CMDCA também deve ser encaminhado ao Ministério Público para análise e providências.

A criança foi levada ao pronto-socorro de Penápolis pelo resgate do Corpo de Bombeiros e a médica que fez o atendimento constatou que ela estaria sem vida havia cerca de 6 horas.

Havia marcas roxas no corpo da menina, algumas recentes e outras mais antigas, e os policiais militares que atenderam a ocorrência, relataram que o Conselho Tutelar teria informado que havia diversas denúncias de maus-tratos envolvendo a menina.

Investigação

A comissão composta por integrantes do CMDCA foi informada que houve quatro denúncias de maus-tratos contra a menina, sendo duas no dia 4; um ano dia 9; e a quarta no dia 11, ou seja, três dias antes de ser constatado o óbito da vítima.

O Conselho Tutelar alegou que não foi informado o endereço correto da família e que conselheiros teriam feito contato com moradores próximos do endereço informado nas denúncias, mas não teriam obtido informações sobre o casal e a menina.

Houve visita à UBS do bairro (Unidade Básica de Saúde) em busca de informações e o pai da vítima informou o telefone da ex-companheira, mas ela não teria atendido às ligações, segundo os conselheiros.

Por volta das 11h do dia em que foi constatada a morte da bebê, a mãe dela teria telefonado para o Conselho Tutelar dizendo que a filha dela estava bem. Porém, ao ser ouvida na delegacia, disse que ao acordar, por volta das 11h30, a encontrou já sem vida.