O Hojemais Araçatuba recebeu a visita de equipe da Raízen para falar sobre o setor de Bionergia (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)
Região volta a ter destaque com recuperação do setor de bioenergia
Raízen vai preparar mão-de-obra para atuar nas duas unidades produtoras de etanol de segunda geração que estão sendo construídas em Andradina e Valparaíso; a primeira entra em operação já no segundo semestre de 2024
O mercado novamente volta os olhos para a região de Araçatuba, que durante muitos anos foi destaque no setor sucroalcooleiro. O cenário favorável foi um dos destaques do 16º Congresso Nacional da Bioenergia, promovido pela Udop no início deste mês e que reuniu mais de 1,7 mil profissionais de usinas de todo o Brasil e da Argentina no campus da Unip.
O momento é tão promissor, que durante o evento a entidade anunciou o retorno de duas importantes premiações que ocorrerão já durante o 6º Seminário Udop de Inovações, a ser realizado nos dias 22 e 23 de novembro.
Um deles será a 3ª edição do Prêmio Udop/Embrapa de Boas Práticas Ambientais e o outro, o Prêmio CanaSauro e BabyCanaSauro, que voltará a premiar os maiores nomes do setor sucroenergético.
Ainda durante o 16º Congresso Nacional de Bionergia, o Hojemais Araçatub a recebeu a visita do superintendente de polo das áreas agrícola e industrial das três unidades da Raízen na regional de Araçatuba, Wellington Sacco Altran. Ele estava acompanhado da coordenadora de Comunicação Corporativa da Raízen, Amanda Morais, e da analista de Comunicação Corporativa, Raquel Soares.
Em visita à redação do Hojemais Araçatuba Altran comentou que o cenário atual é bastante positivo para o setor, o que se confirma com o retorno das operações por parte de várias usinas que tiveram que interromper as atividades em função das dificuldades pelo setor nos últimos anos.
“Estamos vivendo um ano atípico. Depois de três anos de seca, os canaviais estão com produtividade acima da expectativa, tanto para o açúcar como para o etanol. É um ano que a gente tem matéria-prima e tem preço, e isso favorece investimentos, favorece ampliar e investir forte no setor”, informou.
O superintendente comentou que o setor tem visto com bons olhos o atual cenário, que aponta para o investimento em energia limpa, inclusive pelo governo do Estado, como já foi declarado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é uma vantagem para o etanol, por ser menos poluente do que a gasolina.
Cíclico
Altran explicou que como o setor é cíclico, a maioria das unidades produtoras fazem o mix de açúcar e etanol, buscando compensar a rentabilidade de acordo com o valor de mercado das commodities.
Atualmente a produção das usinas está mais voltada para o açúcar, com melhor valor no mercado. “A margem do setor ainda é apertada, mas com bom investimento, da forma correta, e com bons canaviais, o resultado é positivo”, informou.
Riscos
A reportagem o questionou sobre os riscos de o setor voltar a sofrer, com aconteceu no final dos anos 2000, desmotivando os produtores de cana, depois de uma grande expectativa com o anúncio de vários investimentos para a região na época.
De acordo com Altran, os canaviais ainda predominam na região, onde as lavouras ajudaram a valorizar as propriedades, atraindo empresas importantes, como a própria Raízen, contribuindo para a economia dos municípios, também no ponto de vista geração de empregos e oportunidades.
Ele argumenta que o setor trabalha com uma cultura que varia de acordo com o clima e também tem variação de preço. A região possui clima seco, que é adequado para os canaviais, o que pode ser considerado mais um ponto a favor no relacionamento com o produtor e fornecedor de cana.
“O que a gente precisa é ter bons investimentos nos canaviais, para que nos anos bons a gente tenha boa produtividade e consiga surfar na onda, e nos anos ruins a gente não caia tanto e consiga continuar investindo”, argumenta.
Investimentos
O suprerintendente explica que os últimos três anos foram ruins para o setor de bionergia, devido a secas e geadas. Mas apesar de não ser possível controlar o clima, isso pode ser feito com outros fatores da produção, por meio do investimento nas lavouras. “Hoje existe boa técnica e a Raízen é atuante na área, para dar a tranquilidade aos fornecedores para os próximos anos”, diz .
Altran informa que aproximadamente 45% da cana que é moída pelas unidades da Raízen na região são adquiridas de fornecedores, que contam com apoio da empresa na preparação e manutenção dos canaviais. “A empresa tem um nome a zelar e oferece vantagens ao fornecedor”, diz.
Parceria
Esse apoio é oferecido por programas como o Jornada Cultivar, que oferece crédito rural para equipamentos, insumos, capacitação e prestação de serviços, como topografia, a preços abaixo do mercado. Por meio do programa, o fornecedor também tem acesso a consultoria agronômica e capacitação para sucessores, criando novas gerações de produtores de canaviais.